Dr. Fernando Pires.
Cirurgião de Mão, Doutorado pela escola Paulista de Medicina, Professor na Universidade de Santo Amaro.
Exames para Síndrome do Túnel do Carpo: Como Confirmar o Diagnóstico?
A síndrome do túnel do carpo é a principal causa de compressão do nervo mediano no punho. Embora o diagnóstico seja predominantemente clínico, alguns exames complementares são fundamentais para confirmar a doença, avaliar sua gravidade e auxiliar na indicação do melhor tratamento.
Eletroneuromiografia (ENMG)
A eletroneuromiografia é considerada o exame mais utilizado para confirmar a síndrome do túnel do carpo. Ela avalia a velocidade de condução do nervo mediano e identifica o grau de comprometimento nervoso.
A ENMG permite detectar:
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Compressão leve, moderada ou grave do nervo mediano;
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Perda da velocidade de condução nervosa;
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Alterações na função muscular causadas pela compressão prolongada;
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Outras doenças neurológicas que podem causar sintomas semelhantes.
Além de confirmar o diagnóstico, esse exame auxilia na definição da necessidade de tratamento cirúrgico.
Ultrassonografia do Punho
A ultrassonografia de alta resolução tornou-se uma importante ferramenta para o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. É um exame rápido, indolor, sem radiação e que permite visualizar diretamente o nervo mediano.
Entre as alterações que podem ser identificadas estão:
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Aumento da área de secção transversal do nervo mediano;
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Edema do nervo;
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Espessamento do retináculo dos flexores;
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Inflamação dos tendões flexores (tenossinovite);
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Cistos sinoviais, tumores ou outras causas de compressão.
Por ser um exame dinâmico, também permite avaliar o comportamento do nervo durante os movimentos do punho e dos dedos.
Ressonância Magnética
A ressonância magnética não é indicada de rotina para o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo, mas pode ser útil em situações específicas.
Ela é indicada principalmente quando existe suspeita de:
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Tumores do punho;
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Cistos sinoviais;
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Alterações anatômicas;
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Lesões traumáticas;
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Compressões recorrentes após cirurgia.
Sua principal vantagem é a excelente definição das estruturas anatômicas do punho.
Radiografia
A radiografia do punho não diagnostica a síndrome do túnel do carpo, pois não visualiza o nervo mediano. Entretanto, pode ser solicitada para investigar causas secundárias da compressão, como:
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Fraturas consolidadas com deformidade;
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Artrose do punho;
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Sequelas traumáticas;
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Alterações ósseas que reduzam o espaço do túnel do carpo.
Exames Laboratoriais
Quando existe suspeita de doenças associadas, alguns exames de sangue podem ser solicitados para investigar fatores que favorecem a compressão do nervo mediano, como:
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Diabetes mellitus;
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Hipotireoidismo;
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Artrite reumatoide;
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Doenças inflamatórias;
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Alterações metabólicas.
Esses exames não confirmam a síndrome do túnel do carpo, mas ajudam a identificar a causa ou condições associadas.
Qual é o melhor exame para síndrome do túnel do carpo?
Nenhum exame substitui a avaliação realizada por um especialista em cirurgia da mão. A combinação da história clínica, do exame físico e dos exames complementares oferece o diagnóstico mais preciso.
De forma geral:
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Eletroneuromiografia: melhor exame para avaliar a função do nervo e a gravidade da compressão.
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Ultrassonografia: melhor exame para visualizar diretamente o nervo mediano e identificar alterações anatômicas.
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Ressonância magnética: indicada em casos selecionados e diagnósticos duvidosos.
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Radiografia: útil para investigar alterações ósseas e sequelas traumáticas.
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Exames laboratoriais: investigam doenças que podem estar associadas à síndrome do túnel do carpo.
A realização do exame adequado permite confirmar o diagnóstico, determinar a gravidade da compressão do nervo mediano e definir o tratamento mais indicado para cada paciente.