Fratura das Falanges dos Dedos: quando imobilizar e quando operar?

Fratura das Falanges dos Dedos: quando imobilizar e quando operar?

As fraturas das falanges dos dedos estão entre as lesões mais frequentes da mão. Apesar de algumas parecerem simples, alterações de rotação, angulação ou comprometimento da articulação podem prejudicar significativamente a função da mão quando não tratadas adequadamente.

O objetivo do tratamento não é apenas conseguir a consolidação do osso, mas preservar alinhamento, mobilidade, estabilidade e função dos dedos.

Epidemiologia

As fraturas dos dedos são muito comuns e podem ocorrer em qualquer idade. São particularmente frequentes em:

  • traumas esportivos;

  • quedas;

  • acidentes domésticos;

  • acidentes de trabalho;

  • impacto direto sobre os dedos;

  • acidentes com máquinas ou ferramentas;

  • traumas automobilísticos e motociclísticos.

Os dedos possuem três falanges — proximal, média e distal — com exceção do polegar, que apresenta apenas falange proximal e distal.

As fraturas podem envolver a diáfise, a região próxima às articulações ou diretamente a superfície articular. Também podem ser fechadas ou expostas.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação começa pelo exame clínico. É importante observar:

  • edema e hematoma;

  • deformidade;

  • dor à palpação;

  • presença de ferimentos;

  • mobilidade do dedo;

  • sensibilidade e circulação;

  • alinhamento dos dedos durante a flexão;

  • presença de desvio rotacional.

O desvio rotacional merece atenção especial. Algumas fraturas apresentam pouca deformidade na radiografia, mas fazem com que um dedo cruze sobre o outro quando o paciente fecha a mão.

As radiografias geralmente são realizadas em diferentes incidências para avaliar localização, desvio, angulação e eventual comprometimento articular. Em fraturas mais complexas, especialmente intra-articulares, a tomografia computadorizada pode auxiliar no planejamento cirúrgico.

Quando a fratura pode ser tratada sem cirurgia?

Muitas fraturas das falanges podem ser tratadas conservadoramente quando apresentam alinhamento e estabilidade adequados.

Dependendo do padrão da fratura, podem ser utilizadas:

  • imobilização com tala;

  • órtese;

  • imobilização envolvendo o dedo lesionado;

  • buddy taping, no qual o dedo lesionado é estabilizado junto ao dedo vizinho;

  • redução fechada seguida de imobilização.

A escolha depende da falange acometida, localização da fratura, estabilidade e presença ou não de deformidade.

Um princípio importante no tratamento das fraturas dos dedos é evitar imobilizações desnecessariamente prolongadas. Os dedos apresentam grande tendência ao desenvolvimento de rigidez.

Quando a fratura apresenta estabilidade suficiente, a mobilização orientada deve ser iniciada no momento adequado.

Qual é a posição de imobilização?

A posição depende do tipo e da localização da fratura.

Em determinadas fraturas da falange proximal, por exemplo, pode ser utilizada uma posição funcional com as articulações metacarpofalângicas em flexão e as articulações interfalângicas próximas da extensão.

Em outras situações, pode ser necessária uma órtese específica para proteger determinada articulação ou estrutura lesionada.

Por isso, não existe uma única imobilização adequada para todas as fraturas dos dedos.

Quando existe indicação de cirurgia?

O tratamento cirúrgico pode ser considerado quando não é possível obter ou manter um alinhamento funcional adequado com o tratamento conservador.

Entre as principais situações estão:

  • fraturas instáveis;

  • desvio rotacional;

  • angulação inaceitável;

  • encurtamento significativo;

  • fraturas intra-articulares deslocadas;

  • subluxação ou luxação associada;

  • fraturas expostas;

  • fraturas com lesões de tendões, nervos ou vasos;

  • perda de redução durante o acompanhamento;

  • algumas fraturas cominutivas;

  • padrões nos quais a mobilização precoce não pode ser realizada com segurança sem estabilização.

A indicação deve ser individualizada. Uma radiografia com desvio não significa automaticamente necessidade de cirurgia, assim como uma radiografia aparentemente simples não exclui uma lesão funcionalmente importante.

Como é realizada a cirurgia?

Existem diferentes técnicas de osteossíntese das falanges.

Dependendo do padrão da fratura, podem ser utilizados:

  • fios de Kirschner;

  • parafusos;

  • mini ou microplacas;

  • parafusos intramedulares;

  • sistemas específicos de fixação;

  • fixadores externos em situações selecionadas.

O método escolhido deve proporcionar estabilidade suficiente e, sempre que possível, permitir a recuperação precoce da mobilidade.

O grande desafio: evitar a rigidez

Um dos principais problemas após uma fratura de dedo é a rigidez articular.

Edema, aderências dos tendões, cicatrização dos tecidos e imobilização prolongada podem diminuir progressivamente a amplitude de movimento.

Por isso, o tratamento não termina quando o osso é estabilizado. O acompanhamento e, quando indicado, a terapia da mão são fundamentais para recuperação do movimento, força e função.

Fraturou o dedo? Não ignore a lesão

É comum o paciente acreditar que sofreu apenas uma “pancada” ou “dedo torcido” e procurar atendimento somente quando percebe que o dedo continua inchado, doloroso ou deformado.

Fraturas aparentemente pequenas podem resultar em deformidade, perda de movimento, artrose pós-traumática e redução da função da mão.

Após um trauma com dor persistente, edema, deformidade ou dificuldade para movimentar o dedo, é recomendável avaliação médica e, quando necessário, realização de radiografias.

Dr. Fernando Pires
Cirurgião de Mão e Microcirurgia
São Paulo – Itaim

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