Polidactilia em bebê – 5 dedo com um dedo a mais

Polidactilia Pós-Axial do 5º Dedo: tipos, epidemiologia, associações e tratamento cirúrgico

A polidactilia pós-axial, também conhecida como polidactilia ulnar, é caracterizada pela presença de um dedo supranumerário localizado no lado do dedo mínimo da mão. É uma das malformações congênitas mais frequentes da mão e pode variar desde um pequeno apêndice cutâneo até um sexto dedo completamente formado e articulado.

O que é a polidactilia pós-axial?

A polidactilia é definida pela presença de um ou mais dedos adicionais. De acordo com a localização do dedo supranumerário, pode ser classificada em:

  • Pré-axial: localizada no lado do polegar;

  • Central: envolvendo os dedos centrais;

  • Pós-axial: localizada no lado ulnar da mão, junto ao 5º dedo.

Na polidactilia pós-axial, o espectro anatômico é bastante amplo: desde uma pequena estrutura de partes moles ligada por um pedículo até a duplicação completa do dedo mínimo e, em alguns casos, do próprio raio metacarpal.


Epidemiologia

A polidactilia pós-axial é considerada uma das formas mais frequentes de polidactilia. Sua prevalência varia significativamente conforme a população estudada e a ancestralidade genética.

Estudos descrevem uma prevalência geral em torno de 1 a 2 casos para cada 1.000 nascimentos, embora existam diferenças importantes entre grupos populacionais. Em algumas populações de ancestralidade africana, especialmente nos casos do tipo B, a incidência é consideravelmente maior e frequentemente ocorre como uma alteração isolada e familiar. 

A polidactilia pós-axial pode apresentar:

  • Comprometimento unilateral ou bilateral;

  • História familiar positiva;

  • Herança autossômica dominante com penetrância e expressividade variáveis em muitos casos isolados;

  • Associação com síndromes genéticas, especialmente quando existem outras malformações congênitas.


Classificação da polidactilia pós-axial

Classificação em Tipo A e Tipo B

A classificação mais utilizada clinicamente divide a polidactilia pós-axial em dois grandes grupos.

Polidactilia Pós-Axial Tipo A

No Tipo A, existe um dedo supranumerário mais desenvolvido, geralmente contendo estruturas ósseas e articulações.

O dedo adicional pode:

  • Ser completamente formado;

  • Possuir falanges;

  • Apresentar unha;

  • Ter tendões e estruturas neurovasculares;

  • Articular-se com o quinto metacarpo ou, em alguns casos, com um metacarpo adicional.

Esses casos normalmente exigem uma avaliação radiográfica detalhada e planejamento cirúrgico reconstrutivo mais cuidadoso. 


Polidactilia Pós-Axial Tipo B

O Tipo B corresponde à forma rudimentar.

Caracteriza-se por:

  • Pequeno dedo ou apêndice supranumerário;

  • Predominância de pele e partes moles;

  • Ausência ou desenvolvimento mínimo de estruturas ósseas;

  • Ligação à mão por um pedículo estreito.

É frequentemente chamado pelos familiares de “dedinho pendurado”.

Em grandes séries epidemiológicas, a forma Tipo B foi predominantemente isolada, sem outras malformações associadas, especialmente quando ocorre como uma alteração familiar. 


 


A polidactilia pós-axial pode estar associada a outras doenças?

Sim. Embora muitos casos sejam isolados, principalmente os casos rudimentares Tipo B, a presença de polidactilia deve sempre levar a uma avaliação clínica completa da criança.

A possibilidade de associação aumenta quando existem:

  • Polidactilia bilateral;

  • Comprometimento das mãos e dos pés;

  • Outras malformações congênitas;

  • Alterações cardíacas;

  • Alterações renais;

  • Alterações craniofaciais;

  • Baixa estatura;

  • Displasias ósseas;

  • Atraso do desenvolvimento;

  • História familiar sugestiva de síndrome genética.

Estudos epidemiológicos demonstram que uma parcela dos pacientes com polidactilia apresenta outras anomalias congênitas, embora a polidactilia pós-axial isolada seja frequentemente uma condição sem repercussões sistêmicas. 


Como é feita a avaliação?

A avaliação deve começar com um exame físico completo.

É importante observar:

  • Se a alteração é unilateral ou bilateral;

  • Se existem outros membros da família afetados;

  • Se há polidactilia nos pés;

  • Se existem outras malformações;

  • A implantação do dedo supranumerário;

  • A presença de unha;

  • A presença de movimento;

  • A largura da base de implantação.

Radiografia

Nos casos mais complexos, a radiografia é fundamental para avaliar:

  • Número de falanges;

  • Duplicação óssea;

  • Articulações;

  • Relação com o quinto metacarpo;

  • Existência de metacarpo adicional.

O exame radiográfico é especialmente importante nas polidactilias Tipo A e nas duplicações complexas.


Tipos de cirurgia para polidactilia pós-axial

O tratamento depende diretamente da anatomia.

1. Excisão cirúrgica simples

Indicada principalmente para os casos de Tipo B, quando existe um pequeno dedo rudimentar conectado por um pedículo.

A cirurgia geralmente consiste em:

  • Identificação das estruturas do pedículo;

  • Ligadura ou cauterização adequada dos vasos;

  • Identificação e tratamento do nervo digital;

  • Ressecção do dedo supranumerário;

  • Fechamento estético da pele.

Por que é importante tratar corretamente o nervo?

Uma simples retirada inadequada pode deixar um neuroma doloroso no local.

Por esse motivo, mesmo nos casos aparentemente simples, o procedimento deve ser realizado com técnica adequada.


2. Excisão com reconstrução de partes moles

Indicada quando o dedo adicional apresenta:

  • Base larga;

  • Ligamentos compartilhados;

  • Tendões;

  • Deformidade do quinto dedo.

Nesses casos, não basta simplesmente retirar o dedo extra.

Pode ser necessário realizar:

  • Reconstrução ligamentar;

  • Reconstrução da cápsula articular;

  • Equilíbrio tendíneo;

  • Correção do eixo do dedo mínimo;

  • Plastias cutâneas.


3. Reconstrução da polidactilia complexa

Nos casos em que existem dois dedos relativamente desenvolvidos, a decisão cirúrgica exige planejamento.

O cirurgião deve avaliar qual dedo apresenta:

  • Melhor alinhamento;

  • Melhor estabilidade;

  • Melhor desenvolvimento articular;

  • Melhor função;

  • Melhor potencial de crescimento.

A cirurgia pode envolver a preservação do dedo com maior potencial funcional e a utilização de estruturas do dedo removido para reconstrução.

Por exemplo:

  • Ligamentos;

  • Tendões;

  • Pele;

  • Estruturas capsulares.


4. Osteotomia e correção óssea

Em casos mais complexos, pode existir:

  • Desvio angular;

  • Falange deformada;

  • Duplicação parcial;

  • Alteração do metacarpo.

Nessas situações, podem ser necessárias:

  • Osteotomias;

  • Fixação óssea;

  • Reconstrução articular;

  • Correção do eixo digital.


Qual é a melhor idade para realizar a cirurgia?

A idade ideal depende do tipo de polidactilia.

Nos casos rudimentares, a retirada pode ser realizada precocemente, conforme a avaliação do cirurgião e as características anatômicas.

Nos casos mais complexos, geralmente busca-se realizar a reconstrução durante a infância, permitindo:

  • Melhor adaptação funcional;

  • Desenvolvimento adequado da mão;

  • Correção antes de deformidades progressivas;

  • Menor impacto estético e psicossocial.

A decisão deve considerar individualmente a anatomia da criança e a complexidade da malformação.


Pós-operatório

O pós-operatório varia conforme a complexidade da cirurgia.

Nos procedimentos simples, geralmente há:

  • Curativo;

  • Controle da dor;

  • Acompanhamento da cicatrização.

Nos casos complexos, pode ser necessário:

  • Imobilização;

  • Fisioterapia ou terapia da mão;

  • Acompanhamento do crescimento;

  • Avaliação da mobilidade;

  • Monitoramento de possíveis desvios residuais.

Como a cirurgia é frequentemente realizada em crianças pequenas, o acompanhamento ao longo do crescimento é particularmente importante.


Quando procurar um cirurgião de mão?

A avaliação por um especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia é importante especialmente quando:

  • O dedo adicional possui osso;

  • Existe movimento no dedo supranumerário;

  • A base de implantação é larga;

  • Existem dois dedos mínimos parcialmente formados;

  • Há deformidade do quinto dedo;

  • A polidactilia é bilateral;

  • Existem outras malformações associadas;

  • Há dúvida sobre uma possível síndrome genética.


Conclusão

A polidactilia pós-axial do 5º dedo apresenta um amplo espectro de apresentação clínica. Alguns pacientes possuem apenas um pequeno apêndice de partes moles, enquanto outros apresentam duplicações complexas envolvendo falanges, articulações e metacarpos.

Por isso, o tratamento não deve ser encarado simplesmente como a retirada de um “dedo a mais”. Nos casos complexos, o objetivo é preservar a melhor anatomia possível, manter estabilidade, mobilidade e alinhamento do quinto dedo e proporcionar o melhor resultado funcional e estético ao longo do crescimento da criança.

Uma avaliação adequada, incluindo exame clínico detalhado e radiografias quando indicadas, permite definir a melhor estratégia cirúrgica para cada paciente.

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