Neurotizações do plexo braquial: como as cirurgias de Oberlin, radial para axilar e acessório para supraescapular podem recuperar os movimentos do braço
Meta descrição (SEO): Entenda como funcionam as neurotizações do plexo braquial, as técnicas de Oberlin, radial para axilar e acessório para supraescapular, quando são indicadas, como é a recuperação e quais resultados esperar.
O plexo braquial é uma rede de nervos responsável pela sensibilidade e pelos movimentos do ombro, braço, antebraço e mão. Lesões nessa estrutura podem provocar perda de força, paralisia, alterações de sensibilidade e dor intensa, comprometendo atividades simples, como levantar o braço, dobrar o cotovelo ou levar a mão à boca.
Nos casos em que os nervos não conseguem se recuperar espontaneamente, uma das alternativas cirúrgicas é a neurotização, também chamada de transferência nervosa. Esse procedimento utiliza um nervo ou parte dele que permanece funcionando para restabelecer a comunicação com músculos que perderam sua inervação.
Entre as principais técnicas utilizadas estão a cirurgia de Oberlin, a transferência do nervo radial para o axilar e a transferência do nervo acessório para o supraescapular.
O plexo braquial é formado por nervos que se originam na região cervical e controlam grande parte dos movimentos e da sensibilidade do membro superior.
1. O que é uma lesão do plexo braquial?
As lesões do plexo braquial podem ocorrer após acidentes de motocicleta, acidentes automobilísticos, quedas, ferimentos penetrantes e outros traumatismos que provocam tração ou ruptura dos nervos.
Dependendo da gravidade e da localização da lesão, o paciente pode apresentar:
Incapacidade de levantar ou rodar o ombro.
Dificuldade ou impossibilidade de dobrar o cotovelo.
Perda de movimentos do punho e dos dedos.
Dormência ou perda de sensibilidade no braço e na mão.
Dor neuropática, que pode se manifestar como queimação, choques ou dor persistente.
Nem todas as lesões precisam de cirurgia. Algumas apresentam recuperação espontânea, enquanto outras necessitam de reconstrução cirúrgica para tentar recuperar os movimentos.
2. O que é uma neurotização?
A neurotização é uma cirurgia microcirúrgica em que um nervo funcional, denominado nervo doador, é conectado a outro nervo que perdeu sua função, chamado nervo receptor.
O objetivo é permitir que os axônios do nervo doador cresçam em direção ao músculo paralisado, restabelecendo progressivamente sua capacidade de contração.
Na transferência nervosa, parte de um nervo funcional é conectada ao nervo responsável por um músculo paralisado.
A neurotização não produz recuperação imediata. Após a cirurgia, as fibras nervosas precisam crescer até alcançar o músculo, e o cérebro precisa aprender a utilizar a nova conexão nervosa.
O sucesso depende de diversos fatores, incluindo o tipo de lesão, o tempo decorrido desde o trauma, a condição dos músculos e a disponibilidade de nervos doadores.
3. Cirurgia de Oberlin: recuperação da flexão do cotovelo
A cirurgia de Oberlin tem como principal objetivo recuperar a capacidade de dobrar o cotovelo, movimento essencial para atividades como alimentar-se, escovar os dentes e levar objetos à boca.
Como funciona a cirurgia?
Na técnica clássica, uma pequena parte das fibras do nervo ulnar, responsável por funções da mão e do antebraço, é transferida para o ramo motor do nervo musculocutâneo que controla o bíceps.
Existe também a técnica de duplo Oberlin, na qual se utiliza adicionalmente um fascículo do nervo mediano para reinervar o músculo braquial. Assim, dois músculos responsáveis pela flexão do cotovelo podem ser recuperados.
A seleção cuidadosa dos fascículos permite preservar a maior parte das funções dos nervos doadores.
Quando o paciente começa a dobrar o cotovelo?
Os primeiros sinais de contração muscular podem surgir aproximadamente entre três e seis meses após a cirurgia, embora isso varie. A recuperação da força pode continuar por 12 a 24 meses.
Inicialmente, o paciente pode precisar associar movimentos da mão à tentativa de dobrar o cotovelo. Com a reabilitação, aprende progressivamente a realizar o movimento de maneira mais independente.
4. Transferência do nervo radial para o axilar: recuperação do deltoide
O nervo axilar é responsável principalmente pela inervação do músculo deltoide, fundamental para levantar o braço.
Quando esse nervo é lesionado, o paciente pode apresentar dificuldade importante para elevar o membro superior, além de perda do contorno muscular do ombro.
Como é realizada a cirurgia?
Uma das técnicas utiliza o ramo do nervo radial responsável pela inervação da cabeça longa do tríceps, transferindo-o para o nervo axilar.
O procedimento geralmente é realizado por uma incisão na região posterior do ombro e do braço. A técnica procura preservar a capacidade de estender o cotovelo, utilizando apenas um dos ramos motores do tríceps.
5. Transferência do nervo acessório para o supraescapular
Essa cirurgia tem como objetivo recuperar parte dos movimentos do ombro, especialmente o início da elevação do braço e a rotação externa.
O nervo supraescapular é responsável pela inervação dos músculos supraespinal e infraespinal, importantes para a estabilidade e os movimentos do ombro.
Como funciona?
O cirurgião transfere parte do nervo acessório, responsável pela inervação do trapézio, para o nervo supraescapular. A cirurgia pode ser realizada por diferentes acessos, dependendo da anatomia e da localização da lesão.
6. É possível realizar as três neurotizações na mesma cirurgia?
Sim. Em determinadas lesões do plexo braquial, especialmente aquelas que acometem as raízes C5 e C6, é possível combinar as três técnicas para tentar recuperar diferentes movimentos.
Os três objetivos da reconstrução
Oberlin
Recuperar a flexão do cotovelo para permitir que a mão se aproxime da boca.
Radial para axilar
Recuperar a função do deltoide e melhorar a capacidade de elevar o braço.
Acessório para supraescapular
Melhorar a estabilidade, o início da elevação e a rotação externa do ombro.
A combinação de transferências para os nervos axilar e supraescapular é uma estratégia estudada para reconstrução do ombro. Uma revisão de 2025, envolvendo 393 pacientes, encontrou melhores resultados funcionais em grupos submetidos a transferências duplas do que em grupos submetidos a transferências isoladas, embora a indicação dependa das características de cada lesão.
7. Qual é o momento ideal para realizar a cirurgia?
O tempo é um dos fatores mais importantes para a recuperação.
Após uma lesão nervosa grave, os músculos que deixam de receber estímulos nervosos sofrem atrofia progressiva. Quanto maior o período de desnervação, menor pode ser a capacidade de recuperação muscular.
De maneira geral, procura-se realizar as neurotizações nos primeiros três a seis meses após o trauma, quando indicadas. Algumas lesões exigem intervenção mais precoce, enquanto outras podem ser inicialmente acompanhadas.
A avaliação com um especialista em cirurgia da mão e microcirurgia não deve ser adiada. Exames como eletroneuromiografia e ressonância magnética, associados ao exame físico, ajudam a determinar a extensão da lesão e a estratégia de tratamento.
8. Como é a cirurgia e quanto tempo dura a internação?
As neurotizações são realizadas sob anestesia, geralmente geral, com auxílio de microscópio cirúrgico ou magnificação óptica e instrumentos de microcirurgia.
O cirurgião identifica os nervos doadores e receptores, seleciona os ramos adequados e realiza a conexão entre eles, chamada de neurorrafia.
A duração da operação depende do número de transferências, da extensão das lesões e da necessidade de procedimentos adicionais.
A internação pode ser de um a poucos dias, conforme o porte da cirurgia, as condições clínicas e o protocolo hospitalar.
9. Como é a recuperação após a cirurgia?
Cronograma ilustrativo — os prazos variam conforme a cirurgia e a evolução individual.
Primeiras semanas: proteção dos nervos
O braço pode permanecer protegido por tipoia ou imobilizador, conforme as transferências realizadas. É importante evitar movimentos que provoquem tensão nas conexões nervosas e seguir as orientações sobre os curativos.
Primeiros três meses: manutenção da mobilidade
A fisioterapia e a terapia ocupacional procuram preservar a mobilidade das articulações, prevenir contraturas e preparar os músculos para a futura recuperação.
Entre três e seis meses: possíveis primeiras contrações
Alguns pacientes começam a apresentar contrações dos músculos reinervados. A recuperação pode demorar mais, dependendo da técnica e da distância entre a transferência nervosa e o músculo.
Entre seis e doze meses: treinamento muscular
Com o aparecimento das contrações, a reabilitação passa a enfatizar o reaprendizado dos movimentos e o fortalecimento progressivo.
Após doze meses: ganho funcional
A força e a coordenação podem continuar melhorando por muitos meses. O acompanhamento prolongado permite avaliar a necessidade de tratamentos complementares.
10. Quais são os riscos da cirurgia?
Como qualquer procedimento cirúrgico, as neurotizações apresentam riscos, incluindo infecção, hematoma, problemas de cicatrização e complicações anestésicas.
Existem também riscos específicos, como lesão de nervos próximos, alterações de sensibilidade, dor neuropática, fraqueza no território do nervo doador e recuperação insuficiente do músculo receptor.
Mesmo quando a conexão nervosa é realizada adequadamente, não é possível garantir a recuperação dos movimentos. O resultado depende também da capacidade de regeneração nervosa e das condições dos músculos.
11. A cirurgia recupera completamente o braço?
O objetivo das neurotizações é recuperar movimentos prioritários que proporcionem maior independência ao paciente. A cirurgia não necessariamente restabelece todos os movimentos e toda a sensibilidade do braço.
A recuperação depende da gravidade da lesão, da idade, do tempo até a cirurgia, dos nervos disponíveis e da adesão ao tratamento de reabilitação.
Em alguns pacientes, procedimentos complementares, como transferências tendíneas ou musculares, podem ser necessários posteriormente.
12. Quando procurar um especialista?
Pacientes que sofreram acidentes e apresentam perda de força, incapacidade de levantar o braço ou dobrar o cotovelo, dormência persistente ou dor intensa devem procurar avaliação especializada o quanto antes.
A identificação precoce das lesões do plexo braquial permite acompanhar a recuperação espontânea quando possível e planejar a reconstrução cirúrgica dentro do período adequado.
Agende uma avaliação com um especialista em cirurgia da mão e microcirurgia para conhecer as possibilidades de tratamento das lesões do plexo braquial.
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